AS RAINHAS DAS SELVAS | Os Grandes Seriados do Cinema

Para quem teve a sorte de ser criança nas décadas de 30 e 40 do século passado, acontecia uma coisa mágica nas sessões dos sábados e domingos dos cinemas poeiras dos bairros: OS SERIADOS.

Nos primórdios do filme seriado, as mulheres estiveram em evidência. Naquela que todos consideram a primeira fita em série, What Happened to Mary?, produzida pela companhia Edison em 1912, Mary Fuller cativava os espectadores no papel de uma órfã, lutando contra mil e uma adversidades e, um ano depois, Kathlyn Williams em As Aventuras de Kathlyn (The Adventures of Kathlyn), na pele de uma herdeira, desafiava perversos bandidos que queriam desapossá-la de suas terras.


Depois vieram Pearl White e Ruth Roland, as duas rainhas dos seriados na fase silenciosa do Cinema, e ainda Helen Holmes, Grace Cunnard, Eileen Sedgwick, Allene Ray, Helen Fergunson, Anita Stewart, Louse Lorraine, Marie Walcamp, Neva Gerber, Ethlyne Clair, Ann Little, Arline Pretty e muitas mais. Aos poucos, porém, os mocinhos foram tomando os lugares de destaque das heroínas e, somente em 1941, alguém da Republic teve a ideia de retomar a velha fórmula de se colocar uma bela jovem como centro de atração dos seriados, de preferência numa aventura passada na selva africana, tal como se fizera, de maneira esporádica e medíocre, em Rainha do Sertão (Queen of the Jungle), com Mary Kornman, em 1933.


Assim nasceu A Filha das Selvas (The Jungle Girl), seriado inspirado numa novela de Edgar Rice Burroughs, o criador de Tarzan. O estúdio adquiriu os direitos do livro, mas aproveitou apenas o título, atribuindo aos seus roteiristas a tarefa de construírem os quinze emocionantes episódios.

Na história de Burroughs havia um médico americano que combatia a desnutrição numa tribo perdida do continente africano. Este personagem foi extirpado e em seu lugar colocaram um típico caçador branco, Jack Stranton, interpretado por Tom Neal, que servia de companheiro à mocinha, cujo nome passou a ser Nyoka, logo depois famoso por causa de um subsquente seriado e de histórias em quadrinhos desenhadas por Al Jetter.


Nyoka era uma jovem criada nas selvas e o pai tinha um irmão gêmeo (Trevor Bardette acumulou os dois papéis) que se unia a um curandeiro, Shamba (Frank Lackteen, o vilão mais assustador dos velhos seriados mudos), e a um facínora americano, Slick Latimer (Gerald Mohr), a fim de se apoderarem de valiosos diamantes.


Com o auxílio de Stanton e do amigo Curly Rogers (Eddie Acuff), Nyoka opunha-se ao trio de malfeitores e terminava derrotando-os, depois de quase cair nas profundezas de um abismo, ser alvejada por flechas envenenadas, incinerada num incêndio da floresta ou esmagada por um gorila (Emil van Horn).

Sob os traços da Filha das Selvas, o estúdio colocou Frances Gifford, uma morena que causava sensação com um vestido curtinho de ple de leopardo e botas, mas, nas sequências de ação, a atriz era substituída pela excelente stuntwoman Helen Thurston.


Dirigido por dois especialistas, William Witney e John English, o seriado agradou ao público e, no ano seguinte, a Republic fez uma continuação, Os Perigos de Nyoka (The Perils of Nyoka), com Witney sozinho na direção, escolhendo uma nova estrela, Kay Aldridge, e um novo mocinho, Clayton Moore, que, no futuro, se tornaria o Lone Ranger da tevê.

Nas cenas arriscadas, Kay era substituída pelo dublê David Sharpe que apesar de se sentir meio sem jeito com roupas femininas, proporcionava aos espectadores mais acrobacias espetaculares nas árvores do que, por exemplo, as dos filmes de Tarzan classe A da Metro.


O vilão desta vez era uma mulher, a malvada Vultura (encarnada pela deliciosa Lorna Grey, cujo nome artístico mudaria depois para Adrian Booth), sempre cercada por fiéis capangas como o árabe Cassib (vivido por Charles Middleten, o imperador Ming de Flash Gordon) ou o gorila Satan (Emil van Horn, de novo).

A ambição dos facínoras era se apoderarem das Tábuas de Hipócrates que continham segredos medicinais prodigiosos e o mapa de um fabuloso tesouro, e quem poderia descobri-las era Nyoka, seu namorado, Dr. Larry Grayson (Clayton Moore), e o professor deste, Dr. Campbell (Forbes Murray).


Depois de lances eletrizantes como escapar de uma carroça em chamas despencando no desfiladeiro, de ser retalhada por uma lâmina em movimento pendular, digna de Edgar Allan Poe, e ainda da traição de Torrini (Tristam Coffin), assecla de Cassib que se fazia passar por seu aliado, Nyoka travava no último capítulo uma luta corpo a corpo com Vultura, as duas de perninhas de fora entrelaçadas, excitando a meninada.

Os Perigos de Nyoka fizeram mais sucesso do que A Filha das Selvas, e foi relançado anos depois como Nyoka and the Tigermen, tendo sido ainda exibida na tevê uma versão em longa-metragem, Nyoka and the Secrets of Hippocrates, que era um dos compactos oferecidos em 1966 às emissoras, inseridos num pacote de 26 serials da Republic), reeditados em 100 minutos, tal como Leo Gutman Productions fez anos depois com vários da Columbia.


Quando Key Aldridge deixou a Republic em 1944, parecia que não iria surgir uma sucessora, mas felizmente o estúdio encontrou aquela que seria aclamada "A Rainha dos Seriados Sonoros": Linda Stirling.


Linda, alta e esbelta modelo, com habilidades atléticas, estreou em A Mulher-Tigre (The Tiger Woman), dirigido por Spencer Bennet e Wallace Grissell, seriado que girava em torno da rivalidade de duas companhias petrolíferas por jazidas situadas na selva sul-americana.

Nele, o engenheiro de uma das firmas, Allen Saunders, interpretado por Allan Lane (também chamado "Rocky" Lane e depois popularizado como Red Ryder numa série de faroeste) e seu amigo Ducan Renaldo (o Cisco Kid da tevê), auxiliados pela Mulher-Tigre, misteriosa Princesa das Selvas, estranhamente civilizada, enfrentavam os inescrupulosos rivais comandados por Morgan (o mexicano George J. Lewis, um dos bad guys mais manjados da época). O seriado teve boa acolhida, tendo sido relançado como The Perils of the Darkest Jungle, e fez de Linda Stirling estrela na Republic, que a colocou nos papéis principais de O Chicote do Zorro/1944 (Zorro's Black Whip), O Segredo da Ilha Misteriosa/1945 (Manhunt of Mysriry Island), Marte Invade a Terra/1945 (The Purple Monster Strikes), O Espírito Escarlate/1946 (The Crimson Ghost) e A Volta de Jesse James (Jesse James Rides Again), tornando-se uma nova Pearl White.


AS OUTRAS RAINHAS DAS SELVAS


Depois de A Mulher-Tigre, a Republic só abordaria o tema nos últimos anos de vida dos seriados em Tambores Feiticeiros/1953 (Jungle Drums of Africa) e A Mulher-Pantera/1955 (Panther Girl of the Congo), ambos com Phyllis Coates (a futura Lois "Miriam" Lane, no Super-Homem da tevê), vestindo roupas bem parecidas com as usadas por Frances Gifford em A Filha das Selvas para poderem ser aproveitadas as tomadas de arquivos daquele outro seriado.

Em A Mulher-Pantera (veja o trailer da série no vídeo acima), introduziu-se um elemento de ficção-científica quando a heroína tinha de lutar contra lagostas gigantescas, criadas por um cientista louco que desenvolvera um hormônio para aumentar o tamanho de crustáceos.


Já a Universal em 1945 fez A Rainha das Selvas (Jungle Queen), com Ruth Roman no papel de Lother, jovem que tinha os poderes de andar incólume sobre as chamas e de se tornar invisível, deixando os inomigos nazistas estupefactos.


A intriga transcorria durante a Segunda Guerra Mundial e dizia respeito a uma agente alemã, disfarçada sob a personalidade da cientista Elise Bork (Tala Birell) e seu subordinado Lang (Douglas Drumbille), que tentavam indispor as tribos tonghili contra os aliados.

Dois americanos, Bob Elliot (Edward Norris) e Chuck Kelly (Eddie Quinllan), chegavam para ajudar as forças britânicas, e encontravam Pam Courtney (Lois Collier), uma jovem à procura do pai, desaparecido nas selvas, e todos eram ameaçados pelos espiões. No final, após garantir a vitória dos ingleses, Lothel sumia numa labareda, tão misteriosamente quanto aparecera.

Entretanto, a atriz Ruth Roman surgiria novamente nas telas, na década de 50, para mostrar sua capacidade dramática em filmes de prestígio que também puderam destacar mais a sua invulgar beleza.


Fonte de Pesquisa/Texto: Revista Cinemin/A.C. Gomes de Mattos.

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