BILLY THE KID (1859-1881) | Os Grandes Mitos do Oeste no Cinema

"Rosto comprido e assimétrico. Pele bronzeada pelo sol. Cabeleira comprida de tons castanhos, ligeiramente ondulada. Olhos cinza-claros, de expressão firme. Altura: 1,72m, esbelto e bem-proporcionado. Muitas mulheres achavam-no charmoso e elegante" - eis o perfil de William H. Bonney, aliás Billy the Kid, segundo o biógrafo Walter N. Burns.

BIOGRAFIA


Billy nasce em 1859, em Nova York. Em 1862, a família Bonney se muda para o Kansas, onde o pai vem a falecer. Em 1865, a mãe volta a se casar em Santa Fé, Novo México. Em 1868, todos se mudam, desta feita para Silver City, onde Billy passa a frequentar a escola, com bom aproveitamento.


Aos doze anos, dedica-se ao jogo de cartas, em salões mal-afamados. Certo dia, após um homem ter falado mal da honra de sua mãe, Billy mata-o e foge da polícia.


Mais tarde, disputa peles com três índios, atingindo-ps mortalmente. Por essa razão, Billy procura refúgio no México, onde, em sociedade, instala negócios de jogatina. Mas vem a se desentender com o sócio, e o bate a tiros.


De retorno ao Novo México, tenta refazer a vida como cowboy, e é nessa época que surge o nome de Billy the Kid (Billy, o Garoto). Em 1877, emprega-se no rancho de um inglês, Tunstall, com quem fez sólida amizade.

Foto encontrada com Billy the Kid (segundo à esquerda) e Pat Garrett (na ponta direita).

Certo dia, Tunstall cai baleado por ladrões de gado, acobertados pelo Governador, pelo Procurador-Geral, pelo Juiz e pelo Xerife locais. Com sede de vingança, Kid se lança contra os causadores da morte do amigo, numa cruzada de lutas sangrentas, no Novo México. Tais lutas ficaram conhecidas como a Lincoln County War (ou Guerra do Condado de Lincoln), num total de doze mortes.


Em 1878, durante seis meses, esta "guerra" atinge o ponto culminante no cerco à residência de McSweenen, sócio de Tunstall. De forma surpreendente, Billy consegue escapar de um incêndio e de uma saraivada de balas.


Por volta de 1879, Billy, já em Fort Sumner, se liga a um recém-chegado, Pat Garret, que logo conheceria outros membros do bando. Seria por isso que Pat foi escolhido Xerife pelos criadores de gado? Nas eleições feitas para tal função, havia uma obrigação: destruir Kid e seus homens. Em janeiro de 1881, traindo sua amizade com Billy, Garrett prende-o. Julgado e condenado à morte, o rapaz é preso, mas quatro meses depois, foge, após eliminar dois guardas. Garrett vai em seu encalço, cercando-o em Fort Sumner.


Acolhido na casa de um amigo comum, Peter Maxwell, Kid não vê a aurora, pois Garrett penetra em seu quarto e o mata na escuridão da noite. Mais tarde, ele iria declarar: - Kid era um rapaz amável. Só queria prendê-lo, não queria matá-lo. Mas após a sua fuga, tive de matá-lo, ou ele me mataria... Que sua alma esteja em paz!


Seus funerais, no cemitério de Hell's Half Acre, foram assistidos pela população do vilarejo. Substituiu a lembrança do jovem que, em sua curta vida de vinte e um anos, matou vinte e um homens. Mas quem dá a certeza de que foram mesmo vinte e uma mortes?


O MITO


Um mês após sua morte, um homem, de nome Fable, publica: A História de um Fora-da-lei que Matou um Homem para Cada Ano de Sua Vida. É nessa narrativa fantasiosa, publicada em fascículos no periódico Police Gazette, que nove em dez escritores interessados na existência desse jovem se baseiam para escrever textos.

A partir de 1906, durante uma década, 10 milhões de pessoas assistem a inúmeras representações de uma peça de teatro sobre seus feitos. Há uns tempos atrás, Aaron Copland, compositor norte-americano, compôs uma ópera. George Bernard Shaw escreveu uma peça.


O PERSONAGEM NO CINEMA


No tocante ao Cinema, Billy the Kid haveria de ar uma nova dimensão em apoio a sua visão legendária.


King Vidor descreve com cuidado a epopéia pessoal de Billy the Kid mostrando-o como um jovem desfavorecido pelas circunstâncias e que, diante de um destino trágico, parte para a vida.

King Vidor não esquematiza ao narrar de forma linear os feitos de Billy. Mas, longe de ser uma biografia autêntica, apresenta-nos um jovem de caráter jovial, cavalheiresco, dançarino e bem-humorado.


Vidor exalta a luta individual de Billy contra os inimigos, centralizando as ações no cerco da casa de McSween. Acrescente-se a isso a excelente composição plástica das imagens nas sequencias ao ar livre, em planos de grande profundidade, pois a obra de Vidor foi lançada inicialmente em tela gigante, 70mm, processo conhecido como Realife.


Billy the Kid Returns, produção protagonizada por Roy Rogers, em uma de suas sequências, suscita uma plausível consideração sobre a morte do jovem pistoleiro nas mãos de Pat Garrett. Kid pergunta "Quien és...?" e atira no escuro para então cair sob uma bala disparada em resposta.

Transformar-se-ia a origem dos fatos para que parecesse haver um equívoco ao atingir Billy? Dois anos depois, em 1938, o mesmo ângulo voltaria a ser indagado.


Numa série de seis filmes, o ator Bob Steele personifica Billy. Alguma semelhança com a figura do jovem legendário é pura coincidência, já que o protagonista está longe de parecer com ele.


À série, segue-se outra, de 13 películas, desempenhadas por Buster Crabbe, nada meritório com relação ao personagem. A título de curiosidade, Billy the Kid apresentava-se como excelente nadador, repetindo as façanhas do então campeão olímpico Buster Crabbe.


O filme Gentil Tirano, de David Miller, teve o pistoleiro personificado por Robert Taylor (foto abaixo) e acrescentou uma dúvida palpitante nas circunstâncias de sua morte, no duelo final com Pat Garrett. Segundo esse filme, na sequência final, Billy teria involutariamente provocado a própria morte, ao tentar atingir o Xerife com a mão direita, pois não era tão ligeiro com a mesma. Na época divulgava-se que Billy era canhoto, mas William S. Hart, autoridade em assuntos do Oeste, desmentiu em depoimento: - "Billy sempre atirou com a mão direita". Toda essa controvérsia começou, quando se espalhou a lenda de que Billy era canhoto, por causa de uma foto copiada invertida.

Numa realização de Howard Bretherton, West of Tombstone/1942, revive-se a lenda de que Billy the Kid não teria morrido, mas que passara a viver incógnito como pacífico e doméstico cidadão.


O Proscrito, realização de Howard Hughes, lançado no Brasil com um atraso de 8 anos, por ter o Hays Office (Código de Censura) alegado um suposto erotismo (a câmara do mestre e fotógrafo Gregg Toland explora, com certo sensualismo, o busto da heroína Jane Russel). A película, em sua originalidade, quebra todos os caráteres convencionais do filme de faroeste, numa atmosfera psicológica, descrevendo sugestivamente os tipos e caracteres. O roteirista - por sinal, o brilhante Jules Furthman - foge à simples biografia de Billy: procura repartir sua importância na história com outros, como Pat Garrett e Doc Holliday. A direção de Hughes teve uma preocupação: evitar a violência pura, nas cenas em que a solução caberia ao uso das pistolas; Billy atira apenas uma vez, e assim mesmo em defesa própria.

Em Last of te Desesperadoes, o Xerife Pat Garrett mata Billy the Kid em cumprimento do dever e se torna um dos homens mais odiados da história do Novo México. Os comparsas de Billy tentam vingar-se do assassinato, mas Garrett enfrenta-os e, em consequência, os liquida.


Em The Parson and the Outlaw, Billy fica farto de assassinatos e duelos, e resolve afastar-se do crime. Mas há um único empecilho: ninguém quer deixá-lo só. O reverendo da localidade discorda dos propósitos dos demais e decide que Kid é o homem indicado para limpar a cidade dos malfeitores. Promovido a herói, elogiado em demasia, baseado na ficção, era preciso certa coragem para que se rompesse a auréola de toda uma tradição favorável ao legendário personagem.

Paul Newman interpretou Billy the Kid na película dirigida por Arthur Penn, em 1958.

Quanto a isso Arthur Penn, em Um de Nós Morrerá, conseguiu e teve êxito. De início, o argumento parecia idêntico: Kid tornou-se assassino por querer vingar a morte do patrão e amigo. Esse filme, um western irrepreensível do ponto de vista estético, mostra uma nova visão de Billy the kid, rapaz atormentado, farsante e frequentemente irresponsável. No desenvolvimento da narrativa, há uma mistura de boas e más intenções, elaboradas num estudo psicológico do personagem.


Pat Garret e Billy the Kid, dirigido por Sam Peckimpah, é um western sem pretensões e focaliza a temática da amizade entre os dois homens do Oeste.


No final dos anos 80, início dos 90, tivemos dois filmes: Young Guns 1 e 2, que vem com a ideia de usar de gancho a história real de um ancião que, nos anos 50, dizia ser Billy The Kid para continuar a saga do pistoleiro, funcionou perfeitamente para remediar o final do primeiro filme, que, obviamente sem pretensão de haver uma continuação, resumiu o destino do personagem central.

E a caçada final a Billy e seu bando acaba sendo tão interessante (e até mais emocionante) quanto a guerra de Lincoln, mostrada em Young Guns 1 (Jovens Pistoleiros). Emilio Estevez segue genial como Billy, Kiefer Sutherland e Lou Diamond Phillips também mantém a qualidade do primeiro filme. Christian Slater faz boa participação, dando vida a outro lendário pistoleiro, Dave Rudabaugh. Tem muita ação, ritmo contagiante, humor, bela fotografia e é embalado por Blaze of Glory, que Jon Bon Jovi compôs para este filme. Young Guns e Young Guns II são dois filmes blockbuster atemporais, e cultuados até hoje.


Fontes de Pesquisa: Revista Cinemin e Adoro Cinema.

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