O REI DOS SERIADOS | Os Grandes Seriados do Cinema

Atualizado: 14 de Ago de 2019

Para quem teve a sorte de ser criança nas décadas de 30 e 40 do século passado, acontecia uma coisa mágica nas sessões dos sábados e domingos dos cinemas poeiras dos bairros: OS SERIADOS.

Era um mundo fantástico de cidades perdidas e tesouros escondidos, passagens secretas e armadilhas traiçoeiras, perseguições eletrizantes e perigos fatais, vilões misteriosos e heróis mascarados, puro escapismo, sim, mas irresistível.


A trama continuava em outros episódios, terminando cada qual por um lance de suspense, para forçar o espectador a assistir subsequentes; no final de cada capítulo, o mocinho ou a mocinha ficavam à mercê de uma situação mortífera, da qual a rigor não poderiam escapar, mas, no início do capítulo seguinte. exibido somente "na próxima semana", conseguiam sair milagrosamente ilesos.


A fórmula continha ainda os seguintes atrativos: um mínimo de diálogos, muita ação e estreito relacionamento com as histórias em quadrinhos. Era um esquema infalível que funcionou desde a época silenciosa do Cinema, porém a idade de ouro dos serials deu-se na fase sonora, quando foram produzidos 231 filmes deste tipo, sendo 69 pela Universal, 66 pela Republic, 57 pela Columbia, 24 pela Mascot e 15 por companhias independentes.


A partir do final da Segunda Guerra Mundial, o gosto do público foi mudando, advieram dificuldades econômicas e a concorrência da televisão, e, em 1949, a Universal parou de produzi-los, deixando o mercado para a Columbia e a Republi (que a esta altura já havia incorporado a Mascot), persistindo ambas até 1956.


Numa série de postagens vamos recordar para os nossos seguidores os grandes seriados e os mocinhos que se tornaram inesquecíveis.


O REI DOS SERIADOS


Toda retrospectiva forçosamente tem de começar por Larry "Buster" Crabbe (1908-1983), o ator mais lembrado pelos fãs nostálgicos do gênero e que chegou a ser chamado de "O Rei dos Seriados".


Nascido em Oakland, Califórnia, Clarence Linden Crabbe foi criado no Havaí, e mais tarde voltou para os Estados Unidos, ingressando na Universidade, para seguir o curso de Direito.


Lá transformou-s no campeão olímpico de 1932 (Crabbe bateu o recorde de 400 metros, nado livre, vencendo o francês Jean Taris, favorito da prova, por 1/10 de segundo), e começou a trabalhar em espetáculos em piscinas denominados acquacades.


Ainda nesse tempo arrumou emprego no cinema como figurante e dublê (foi ele que substituiu Joel MacCrea nas cenas arriscadas de Zaroff, o Caçador de Vidas/The Most Dangerous Game, 1932), e apresentou-se depois à MGM, a fim de ser testado para o papel de Tarzan; mas o estúdio preferiu Johnny Weissmuller.


A Paramount acabou contratando-o para encarnar Kaspas, o Homem-Leão, em O Homem Leão (King of the Jungle, 1933) e, no mesmo ano, aceitou fazer para a Principal Pictures o seu primeiro seriado, Tarzan, o Destemido (Tarzan, the Fearless). Em seguida dez algumas fitas de segunda categoria até 1936, quando se tornou FLASH GORDON.


Muitos artistas foram entrevistados (inclusive John Hall) e Crabbe, após ter consentido em clarear os cabelos, obteve o papel, iniciando seu itinerário para a imortalidade cinematográfica.


O seriado com o célebre personagem dos quadrinhos teve duas continuações, Flash Gordon no Planeta Marte (Flash Gordon's Trip to Mars, 1936) e Flash Gordon Conquistando o Mundo (Flash Gordon Conquers the Universe, 1940), ambas com Grabbe que viveu ainda outras figuras dos comics como Red Barry (Red Barry, 1938) e Buck Rogers (Buck Rogers, 1939).


RED BARRY (Red Barry, 1938)

Nos anos subsequentes, o simpático ator encabeçou os elencos de diversos faroestes de orçamento reduzido, entre eles duas séries da PRC, Billy the Kid (13 fitas) e Billy Carson (22 fitas), bem como os de longas-metragens de outros gêneros, também modestos.


Na tv, estrelou a série Captain Gallant of the Foreign Legion ou Foreign Legionnaire (1955), ao lado do filho Cullen, e surgiu num teleteatro em 1952 e no episódio The Murder Comes to You (1959), da série Ellery Queen.


Cumprindo o destino de tantos veteranos, tornou-se coadjuvante em fitas sofríveis e, após participar de várias delas, encerrou a carreira em Bandoleiros do Arizona (Arizona Raiders, 1965), embora ainda estivesse com boa aparência física e bastante fôlego para as cavalgadas e brigas.


FLASH GORDON


Talvez tenha sido Flash Gordon o mais famoso seriado de todos os tempos. Impressionados com o sucesso da história em quadrinhos de Alex Raymond, cuja publicação no jornal começara em 1934, os chefões da Universal resolveram filmá-la em 13 episódios, pondo à disposição do produtor Henry McRae um orçamento de um milhão de dólares.


A soma, levando-se em conta a época e a espécie de fita que ia ser feita, era realmente espantosa, porém naquela companhia não se desperdiçava dinheiro. Assim, para reconstituir economicamente aquela estranha paisagem do planeta Mongo, tal como ilustrada pelo excelente desenhista, o estúdio apelou para o seu próprio Departamento de

Adereços, utilizando em Flash Gordon muitos cenários e objetos de filmes anteriores, como Frankenstein (Frankenstein, 1931), A Múmia (The Mummy, 1932) e O Poder Invisível (The Invisible Ray, 1936) e retirando do arquivo de tomadas sequencias de películas silenciosas como O Sol da Meia-Noite (The Midnight Sun, 1927).


Na seleção da música também houve poupança, tendo sido aproveitados pedaços de trilhas sonoras de fitas de horror produzidas anteriormente, como O Homem Invisível (Invisible man, 1933), O Lobisomem de Londres (Werewolf of London, 1935), A Noiva de Frankenstein (Bride of Frankenstein, 1935), etc., às quais adicionaram trechos do Romeu e Julieta, música de balé, de Tchaikovski.



Curiosamente, estas composições, feitas para transmitirem terror, melodrama ou romance, funcionaram muito bem como pano de fundo de lutas de espada e perseguições de foguete, tanto que, nas continuações, prosseguiram usando musical scorings de fitas antigas da companhia.


Conseguiu-se mais economia ao filmar-se a maioria das cenas de Flash Gordon em interiores ou terrenos da Universal, com excessão de algumas locações distantes no Bronson Canyon, área cheia de paredões rochosos e cavernas, ideal para reconstruir o pré-histórico panorama de Mongo.


Os roteiristas Frederik Stephani (que acumulou a função de diretor), George Plymptin, Basil Dickey e Ella O'Neil inspiraram-se nos textos de Alex Raymond, procurando segui-los o mais fielmente possível, e os vestuários foram confeccionados meticulosamente pela Hollywood Western Costume Company.


Nas cenas de brigas atuou o stuntman Eddie Parker, e, no elenco, além dos astros principais (Crabbe/Flash Gordon, Jean Rogers/Dale Evans, Frank Shannon/Dr. Zarkov, Charles Middleton/Ming, Priscila Lawson/Princesa Aura), apareceram Richard Alexander/Príncipe Barin, John "Tiny" Lipson/Vultan, Duque York Jr./Kala, James Pierce/ (um dos Tarzans do Cinema mudo)/Príncipe Thun, o Homem-Leão, Glenn Strange (um dos Frankenstein da tela)/Homem-Dinossauro e Ray "Crash" Corrigan (conhecido cowboy da série The Three Mosquiteers), oculto sob a fantasia de um orangotango peludo, sem dizer palavra.


Além das duas continuações de Flash Gordon, ambas com Crabbe, houve uma versão radiofônica, em 1935, com Gale Gordon (substituído depois por James Meigham), uma na televisão em 1953, com Steve Holland e, também, outra no cinema, em longa-metragem, intitulada Flash Gordon (Flash Gordon, 1980), com Sam Jones e direção de Mike Hodges. Infelizmente em todas elas faltou a presença de Buster Crabbe, um dos poucos atores que parecia mesmo um herói de gibi. De fato, Buster era o próprio Flash Gordon.


OS SERIADOS DE BUSTER CRABBE


1. TARZAN, O DESTEMIDO (Tarzan, the Fearless). Principal/1933.



2. FLASH GORDON (Flash Gordon). Universal/1936.



3. FLASH GORDON NO PLANETA MARTE (Flash Gordon's Trip to Mars). Universal/1936.



4. RED BARRY (Red Barry). Universal/1936.



5. BUCK ROGERS (Buck Rogers). Universal/1939.



6. FLASH GORDON CONQUISTANDO O MUNDO (Flash Gordon Conquers the Universe). Universal/1940.



7. O TERROR DOS MARES (The Sea Hound). Columbia/1947.



8. PIRATAS DO ALTO-MAR (Pirates of the High Seas). Columbia/1950.



9. OS MISTÉRIOS DA ÁFRICA (King of the Congo). Columbia/1950.


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