Os Filmes Esquecidos de STEVEN SPIELBERG

Primeiro vieram os filmes familiares com a super-8 do pai. Depois filmes experimentais em 16 e até 35 milímetros. Um deles, Amblin, foi mostrado ao Vice-Presidente da Universal, Sidney Scheinberg, que, impressionado, contratou o jovem realizador de 21 anos. Steven Spielberg iniciaria sua carreira profissional no setor de telefilmes do estúdio.

"A televisão foi importante por me mostrar como planificar. Um episódio é feito em apenas seis dias, eu tinha de saber exatamente o que queria, de modo a cumprir o prazo. Nos meus dois primeiros anos na tevê, fiquei em pânico. Eu fiz quatro ou cinco maus programas. Então, decidi correr o risco de me queimar, fazendo algo corajoso. Passei a seguir meus próprios instintos. Comecei a rodar tudo em master-shot (n.a.: tomada que acompanha a cena inteira de um único ponto de vista, auxiliando na colocação dos intérpretes e na edição de imagens), dando aos atores pequenos pontos de comportamento interessantes, que não estavam no roteiro. Comecei a gostar daquilo, a apreciar meu trabalho. Mas realizei apenas 11 shows. Foi só isso."


O aprendizado televisivo de Spielberg começou com um dos episódios de Retrato de um Pesadelo (Night Gallery), em 1969. O filme marcava o retorno do produtor-roteirista Rod Serling ao vídeo, depois de quatro anos de ausência. Ele pretendia reeditar, a partir deste piloto, o êxito de Além da Imaginação (Twilight Zone). Spielberg cuidou do segmento central, Eyes, estrelado por Joan Crawford (foto abaixo). A trama (típica do estilo Serling) coloca a atriz como uma milionária cega que compra os olhos de um jogador endividado (Tom Bosley) e convence seu médico (Barry Sullivan) a operá-la, apesar dos avisos sobre a possibilidade de um fracasso. As outras duas partes foram dirigidas por Boris Sagal (com Roddy McDowall e Ossie Davis) e Barry Shear (com Sam Jaffe e Richard Killey).

No ano seguinte, Spielberg contribuiria com mais um episódio de Night Gallery (já estabelecida como série regular): Make me Laugh, a história de um cômico decadente (Godfrey Cambridge) que não diverte mais ninguém. Um gênio (jackie Vernon) concede a ele o dom de fazer rir e isto, para seu desespero, é a única coisa que consegue desde então. Algumas cenas adicionais foram rodadas por Jeannot Szwarc, que voltaria a seguir os passos de Spielberg, alguns anos depois, ao encenar a segunda parte de Tubarão.


Para Marcus Welby: Médico, confeccionou The Daredevil Gesture, acerca de um adolescente hemofílico (Frank Webb) que procura se mostrar igual aos colegas. Para The Name of the Game fez L.A. 2017, longa-metragem de hora e meia sobre um homem (Gene Barry) transportado ao futuro e envolvido na luta de um grupo rebelde contra o ambicioso líder da cidade (Barry Sullivan).

Segundo o próprio Spielberg, o melhor da sua estada na linha de produção de episódios de séries são os dois que realizou em 1971 para The Psychiatrist. Par For the Course traz Clu Gulager como um golfista à morte, com câncer, auxiliado pelo psiquiatra (Roy Thinnes, astro do seriado / foto acima) a enfrentar a realidade. Em The Private World of Martin Dalton, o médico cuida de um menino de 12 anos (Stephen Hudis) que se refugia num mundo de sonhos. Alguns estudiosos afirmam que Spielberg já evidencia aqui sua grande habilidade em conduzir crianças. O primeiro dos episódios foi exibido na tevê brasileira, acoplado a um outro, como Segredos de um Psiquiatra.


Murder by the Book, apresentado ainda em 1971, é o piloto da série Columbo (foto abaixo). O detetive vivido por Peter Falk vê-se às voltas com o caso de um escritor (Jack Cassidy) que eliminou o colaborador (Martin Milner). Na fotografia, um grande mestre, Russel Metty. Owen Marshall, Counsellor at Law contou com Spielberg em Eulogie For a Wide Receiver, na qual o advogado do título (Arthur Hill) e seu assistente (Lee Majors) defendem um homem (Stephen Young) acusado de assassinato.

E veio então Encurralado (Duel), em 1972. Filmado em apenas duas semanas, com modesto orçamento de 300 mil dólares, roteirizado pelo especialista Richard Matheson, desenvolve uma assustadora parábola sobre um cidadão classe média perseguido sem tréguas por um gigantesco caminhão numa desolada estrada californiana. Exibido por acaso no Festival de Cinema Fantástico de Avoriaz, França, ganhou o certame e a possibilidade de chegar aos cinemas (em versão que esticou seus 75 minutos originais para 90). Um fascinante exercício de estilo, apoiado em perfeito sentido de imagem e corte, abriu ao diretor a oportunidade de passar à tela grande.

Antes, porém, ainda realizaria para o vídeo A Força do Mal (Something Evil)/1972, no qual um casal (Sandy Dennis/Darren McGavin) vai morar no interior da Pensilvânia com os filhos (Johnny Whitaker, Sandy e Debbie Lempert), sendo todos aterrorizados por um demônio (à época visto como precursor de O Exorcista, é, também, um ponto de partida para o Poltergeist que Spielberg - aqui aparecendo numa ponta - escreveu e produziu em 1982) e À Beira da Difamação (Savage)/1972, tentativa frustrada de lançar nova série liderada por Martin Landau e Barbara Bain (depois da saída do casal de Missão Impossível), em que um repórter investiga os antecedentes de um candidato à Suprema Corte (Barry Sullivan).

Ao comentar Encurralado para o L'Express (edição de 15 de setembro de 1973), Jacques Doniol-Valcroze se perguntava: "Quem é Steven Spielberg?". A resposta não demorou muito e veio confirmada através de um artesão brilhante, que já exercitava há quatro anos num meio desprezado, capaz, vez por outra, de surpreender com um talento.

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Fontes de Pesquisa: Revista Cinemin (texto de Sérgio Leeman).

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